Programação
A ideia da construção de um Horto de Plantas Medicinais no campus Chapecó da UFFS não é nova e já foi realidade em projeto antecedente com a articulação de três cursos: agronomia, enfermagem e medicina. Este projeto original foi desativado devido a inúmeros problemas, inclusive de localização, pois começou a sofrer impactos de pulverização de venenos nas proximidades do horto. Reconhecer o uso das Plantas Medicinais, o fortalecimento de ações de promoção da saúde e a valorização do poder ancestral da Natureza são ideais candentes em um momento do mundo que traz grandes questionamentos sobre a Saúde e o Ambiente, frente aos desastres ambientais provocados pelos desmatamentos, queimadas de florestas naturais, cultivos de transgênicos e uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras e hortas e questões climáticas de ordem mundial.
Para o cultivo adequado de um Horto Medicinal, o solo, a água e o ar devem ser de alta qualidade e isentos de contaminações na máxima extensão possível, o que, inclusive, deve ser o pressuposto básico para a escolha do ambiente e do local específico, que nunca deve ter recebido pulverização de agrotóxicos no solo em que serão cultivados remédios de conhecimento ancestral. A UFFS possui um ambiente experimental de Agrofloresta, proveniente de um projeto do curso de Agronomia, de onde surgiu a ideia da construção de um Horto Medicinal para atividades de ensino, pesquisa e extensão dos cursos relacionados e mesmo para uso qualificado da própria comunidade acadêmica.
Em relação as plantas de uso medicinal, essas são utilizadas de forma terapêutica desde os primórdios da humanidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial usa plantas que têm potencial terapêutico ou curativo; são também chamadas de Plantas Bioativas ou Plantas/Ervas Medicinais. Elas envolvem a cura dos males que atingem os seres vivos, animais e humanos. Esse conhecimento é fruto do saber popular e ancestral, sendo passado de geração em geração, impactando a vida das pessoas e das comunidades de forma positiva.
Espaços de plantio conhecidos como Farmácia Natural, Farmácia da Natureza, Farmácia Viva, Horto Medicinal e, mais recentemente, Jardim Terapêutico, são não só incentivados, mas principalmente orientados pelo sistema público de saúde brasileiro. No Brasil, este conhecimento ancestral foi idealizado e concretamente construído a partir da década de 1980 em um projeto da Universidade Federal do Ceará (UFC), com conhecimento proveniente do Professor Dr. Francisco Jose de Abreu Matos, já apoiado pelas políticas públicas mundiais da OMS, que fazia face com duas delas: a Política Mundial de Atenção Primária à Saúde promulgada na Conferência de Alma-Ata em 1978 e a de Promoção da Saúde orientada na Conferência Mundial de Otawa em 1986. Com estes marcos institucionais da Saúde Pública mundial, a Saúde Coletiva no Brasil foi sendo construída, fortalecendo a questão ambiental.
Em 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) foi lançada por uma Portaria do Ministério da Saúde, a qual valoriza e reconhece os conhecimentos tradicionais ou ancestrais e populares, tratando as Plantas Medicinais como uma das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).
A PNPIC foi lançada no mesmo ano que a Política Nacional de Promoção da Saúde e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, dando um corpo institucional que legalizou e oficializou as práticas de cuidados integrais em saúde, para prevenção, tratamento e cura, bem como para a promoção da saúde e bem-estar da sociedade brasileira.
Complementarmente, em 2016 é lançada a Política e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, tendo como princípios norteadores “a melhoria da atenção à saúde, uso sustentável da biodiversidade brasileira e fortalecimento da agricultura familiar, geração de emprego e renda, desenvolvimento industrial e tecnológico e perspectiva de inclusão social e regional, além da participação popular e do controle social sobre todas as ações decorrentes dessa iniciativa” (BRASIL, 2016).
Em consonância com os princípios norteadores da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, iniciativas como a implantação de Hortos de Plantas Medicinais assumem papel fundamental no auxílio do tratamento de doenças, uso sustentável do meio ambiente, além de promover o resgate, valorização do conhecimento popular, ancestral, a educação ambiental e de promoção da saúde coletiva.