A UFFS – Campus Laranjeiras do Sul realizou, na noite de terça-feira (6), um ato simbólico de nomeação dos novos integrantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB). A celebração também contou com a palestra “Direitos Humanos, Equidade e Justiça Social: marcos legais e desafios contemporâneos”, ministrada pela deputada federal Carol Dartora. O evento reuniu integrantes do NEAB e a comunidade acadêmica.
A nova composição do NEAB no Campus Laranjeiras do Sul foi oficializada por meio da Portaria nº 105/CLS/UFFS/2026. De acordo com o documento, a coordenação do núcleo está sob responsabilidade da professora Gisele Louro Peres, com a professora Fernanda Marcon como vice-coordenadora. Além das coordenadoras, integram o colegiado o técnico-administrativo Elder Antonio Tomassevski e os discentes Marcos Israel Germano Neto e Bruno Matheus dos Santos Nessa. A relação completa dos integrantes pode ser consultada na referida portaria.
A reestruturação do NEAB do Campus Laranjeiras do Sul ocorre em um momento de fortalecimento institucional, impulsionado também pelo recebimento de recursos oriundos de emenda parlamentar destinada pela deputada federal Carol Dartora, o que possibilita a ampliação e o fortalecimento das ações do núcleo no campus.
O diretor do Campus Laranjeiras do Sul, Fábio Zeneratti, enfatizou a importância do NEAB dentro da universidade. Para ele, “o NEAB constitui um espaço coletivo de grande relevância institucional, reunindo estudantes, docentes e técnicos-administrativos. Trata-se de um ambiente de produção de conhecimento, promoção de debates qualificados e desenvolvimento de pesquisas, voltado especialmente ao enfrentamento do racismo e de outras formas de discriminação. Em uma sociedade na qual o racismo e os preconceitos se manifestam de forma estrutural, o NEAB se apresenta como instância fundamental para a promoção da equidade, da justiça social e do reconhecimento da diversidade”.
Zeneratti destacou ainda que a nova composição do NEAB representa o início de uma etapa de fortalecimento e consolidação de suas ações no âmbito institucional. “Ao se afirmar como um coletivo reconhecido pela gestão do campus, o núcleo passa a ocupar um lugar estratégico na promoção de políticas de inclusão e no enfrentamento das desigualdades. Esse processo reafirma o compromisso institucional com a valorização da diversidade e com a garantia de direitos, ao mesmo tempo em que fortalece as ações de combate ao racismo e amplia a articulação entre ensino, pesquisa e extensão”, afirmou.
A palestrante Carol Dartora agradeceu à UFFS pelo convite, pela acolhida e pela construção desse importante espaço de diálogo. “Estar em uma universidade pública, especialmente no interior do Paraná, tem um significado muito profundo, porque eu também sou fruto da universidade pública e acredito que ela é uma das ferramentas mais poderosas de transformação social que este país possui”, destacou.
O estudante da UFFS e integrante do NEAB, Marcos Israel Germano Neto, destacou a importância do núcleo para os estudantes e relatou sua experiência. Para ele, “o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros vai muito além de um coletivo de formação e produção intelectual; ele representa a materialização e a consolidação de um sentimento historicamente invisibilizado: o de compreensão da história e da cultura afro-brasileira. A importância do núcleo parte exatamente desse aprendizado. Quanto à minha experiência participando e auxiliando na retomada do NEAB no campus, considero-a uma das mais especiais já vivenciadas. A oportunidade de contribuir com um trabalho como esse, sendo um jovem negro, ao lado de pessoas comprometidas, é um marco importante e singular na minha trajetória acadêmica”.
Entrevista com integrantes do NEAB
O que é o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) e qual é a sua função dentro da UFFS?
Elder Antonio Tomassevski e Marcos Israel Germano Neto: O NEAB constitui-se como um coletivo institucional, advém de uma articulação entre a comunidade acadêmica com o intuito de promover a valorização da história e cultura afro-brasileira. A principal responsabilidade do núcleo consiste na garantia de que o ensino, a pesquisa e extensão estejam alinhados, fundamentalmente, às práticas de promoção da igualdade racial e à expansão e consolidação de diretrizes, como a Lei 10.639/2003, que incita o ensino dessa temática.
Como a nova composição do NEAB reforça o compromisso da universidade com a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo?
ET e MN: A nova composição e, principalmente, a retomada do NEAB, traz um novo fôlego às ações afirmativas na UFFS - Campus Laranjeiras do Sul. Junto ao compromisso da instituição em diversificar vozes que constroem a política institucional, a composição do núcleo tende a promover a ideia de que o combate ao racismo transcende o debate teórico, partindo também uma prática cotidiana, que se consolida do acolhimento de estudantes pretos e pardos à monitoria de práticas discriminatórias no ambiente universitário.
De que forma o NEAB contribui para o ensino, a pesquisa e a extensão no Campus?
ET e MN: No ensino, por meio do incentivo à inserção de temáticas afro-brasileiras e de materiais bibliográficos nos currículos dos cursos. Na pesquisa, com a promoção de debates e estudos sobre desigualdade racial e trajetórias da população negra. Na extensão, por meio de ações, palestras e diálogos com a comunidade externa, ampliando o alcance do conhecimento produzido na universidade. Como exemplo das ações de extensão, o NEAB já participou de rodas de conversa sobre consciência racial com adolescentes em conflito com a lei na Unidade Socioeducativa (CENSE), em Laranjeiras do Sul, além de contar com a colaboração de agentes públicos, como o coordenador do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município.
Quais são os principais objetivos e prioridades do NEAB neste momento?
ET e MN: Entre os principais desafios está a ampliação da participação da comunidade acadêmica. Assim, neste momento, o núcleo tem como prioridade a consolidação institucional e o fortalecimento do sentimento de pertencimento, especialmente entre estudantes negros. Também buscamos ampliar a visibilidade das ações e consolidar o NEAB como referência permanente de articulação e produção intelectual.
Que tipo de atividades estão sendo planejadas?
ET e MN: O plano de trabalho para 2026 e 2027 prevê a organização de grupos de leitura sobre intelectualidade negra e produções literárias, oficinas de escrita acadêmica, cine-debates mensais, rodas de conversa, encontros de debate, formações abertas à comunidade acadêmica e eventos como o Sarau Preta Palavra. Também estão previstas ações como o mapeamento da população negra na universidade e o desenvolvimento contínuo do projeto “Rostos Negros na Universidade”, além da elaboração de pesquisas, participação em eventos e promoção de intercâmbios.
Como o NEAB contribui para a formação dos estudantes?
ET e MN: Em prol de uma formação humana e crítica, o NEAB vislumbra um cenário em que, por meio de sua visibilidade e da ampliação de suas ações — como a divulgação de pesquisas, a realização de eventos, formações, rodas de leitura e cine-debates, um número crescente de pessoas seja impactado e possa ingressar no núcleo. Nesse processo, busca-se promover o letramento racial e o fortalecimento da compreensão de si enquanto indivíduo situado socialmente, de modo que seus membros, ao longo ou ao final da graduação, desenvolvam a capacidade de ler a realidade brasileira a partir de uma perspectiva que reconhece e compreende as desigualdades estruturais, estando, assim, capacitados para intervir de forma ética e justa na sociedade.
Como estudantes e servidores podem participar do NEAB?
ET e MN: O NEAB é um coletivo de acesso aberto. Os servidores e estudantes podem participar dos encontros, integrando o grupo de leitura ou colaborando na organização de eventos. Acompanhar as ações pode-se considerar o primeiro passo para se posicionar frente a luta pela promoção da igualdade racial e fortalecer essa rede que está sendo construída.