Agroecologia, Saúde Coletiva e Plantas Medicinais orientam iniciativas na UFFS – Campus Chapecó
Projetos articulam universidade e comunidade regional e terão, em março, uma roda de conversa aberta ao público e a abertura de um curso de extensão
A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Chapecó desenvolve diferentes iniciativas de ensino, pesquisa e extensão voltadas à Agroecologia e ao uso de Plantas Medicinais. As ações envolvem projetos acadêmicos, atividades formativas e parcerias com entidades da comunidade regional.
Uma dessas iniciativas é o projeto de extensão “Reconhecendo e Valorizando os Hortos Medicinais: o legado de Ana Primavesi”, vinculado ao Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Permacultura (NEPEAP) coordenado pela professora Inês Claudete Burg. A proposta integra o projeto “Agroecologia no Oeste de Santa Catarina: ações de formação e consolidação da Pesquisa e Extensão” coordenado pelo professor Geraldo Ceni Coelho, financiado pelo CNPq, cujo subprojeto “Saúde Coletiva e Plantas Medicinais” é coordenado pela professora Maria Eneida de Almeida, da área de Saúde Coletiva.
Entre as atividades previstas estão a implantação de um horto medicinal no Campus, a qualificação de profissionais da rede pública de saúde e de educação de Chapecó e dos municípios próximos, e ações de divulgação científica e social sobre o uso terapêutico de plantas e ervas medicinais. A proposta, conforme a docente, busca ampliar o conhecimento sobre cultivo, manejo e uso qualificado dessas espécies, envolvendo estudantes, pesquisadores de diversos cursos e a comunidade regional.
Nesse contexto, na sexta-feira (20 de março), o Campus Chapecó recebe a roda de conversa “Agroecologia: a história do Horto Medicinal da UFSC”, que ocorre às 13h30, no auditório do Bloco C. A atividade terá como convidado o professor César Simionato, médico entusiasta dos cuidados de saúde com Plantas Medicinais na Universidade Federal de Santa Catarina. Ele apresentará a trajetória e os desafios para a implantação, consolidação e manutenção do horto medicinal da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A experiência é considerada referência por articular ensino, pesquisa e extensão, além de integrar saberes científicos e conhecimentos populares, perspectiva que dialoga diretamente com as iniciativas desenvolvidas na UFFS, conforme destaca a professora Maria Eneida.
Já no sábado (21 de março), ocorre a abertura do curso de extensão “Mãos na Terra: o legado de Ana Primavesi”, atividade formativa que reúne participantes previamente inscritos através da indicação da direção e/ou coordenação de estruturas públicas de saúde e educação previamente selecionadas. São as Unidades Básicas de Saúde, Conselhos Locais de Saúde e Escolas Públicas da rede municipal e estadual de Educação. Os participantes no curso são professores da rede básica de educação, agentes comunitários de saúde e conselheiros locais de saúde.
A programação contará com uma mesa-redonda de abertura com as instâncias de gestão institucional relacionadas à atividade e também com uma visita à Agrofloresta da UFFS. A seguir haverá a palestra principal de abertura do professor César Simionato, convidado para compartilhar experiências relacionadas à importância das Plantas Medicinais na saúde individual e coletiva e na educação ambiental nas sociedades contemporâneas, tema central da formação. Outras palestras se somarão à reflexão proposta neste momento de abertura do curso, as quais tratarão da importância do cuidado com o solo para cultivo de Plantas Medicinais com o professor Paulo Roger e também do legado de Ana Maria Primavesi com a professora Inês Claudete Burg, ambos das Ciências Agrárias da UFFS.
Hortos, Agroecologia e Saúde
Os hortos medicinais são compreendidos, no projeto, como espaços que articulam ciência e saberes populares. Como explica a professora, o uso de Plantas Medicinais faz parte de conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações e pode dialogar com estudos científicos desenvolvidos nas universidades. A professora resgata dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que cerca de 80% da população mundial utiliza plantas com potencial terapêutico.
Maria Eneida ainda reforça que no Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), instituída em 2006, reconhece as Plantas Medicinais como uma das práticas integrativas e complementares em saúde (PICS) oficialmente legalizadas para incentivo e uso no Sistema Único de Saúde (SUS).
O debate sobre Plantas Medicinais, como destaca a professora, também está relacionado a reflexões mais amplas sobre Agroecologia e Saúde Coletiva. Ela aponta que a saúde das populações não depende apenas de fatores biológicos, mas também – e sobretudo – das condições sociais e ambientais, incluindo a qualidade do solo, da água, do ar e dos alimentos.
Como destaca Maria Eneida, essas discussões dialogam com outras iniciativas acadêmicas da UFFS – Campus Chapecó, entre elas o Observatório Social e Ambiental da Soja no Cone Sul (Soyacene), coordenado pelo professor Antônio Inácio Andrioli, que reúne pesquisadores, professores e extensionistas interessados em analisar as relações entre meio ambiente, sociedade e saúde.
As reflexões desenvolvidas no projeto também se inspiram no legado da agrônoma Ana Primavesi, referência nacional e internacional no campo da Agroecologia, ao afirmar que um solo saudável poderá produzir plantas saudáveis. Como explica a professora Maria Eneida, os estudos de Primavesi apontam que se o solo estiver doente, os animais e os seres humanos, que se alimentam daquele solo, adoecerão. “Seus estudos destacaram a importância do manejo ecológico do solo e da produção de alimentos saudáveis, princípio considerado central para a promoção da saúde e para o equilíbrio ambiental”.
A professora expõe que as ações desenvolvidas no Campus contam ainda com a participação de entidades da comunidade regional, entre elas a Associação Pitanga Rosa, o Quiosque Pachamama, a Epagri e a Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (Apaco). Essa articulação entre universidade e sociedade contribui para fortalecer a produção e circulação de conhecimentos sobre Agroecologia e Plantas Medicinais.
Por fim, ela ressalta que o fortalecimento dessas iniciativas se conecta a três eventos sobre Agroecologia que estão sendo organizados para realização na UFFS: o 12º Seminário Catarinense de Agroecologia, o II Encontro Macrorregional Oeste de Agroecologia, ambos em 2026, e também a XII Jornada Catarinense de Plantas Medicinais, em 2027. A expectativa, segundo ela, é ampliar o debate regional sobre o tema e consolidar a universidade como espaço de referência na articulação entre ensino, pesquisa, extensão e saberes tradicionais.