Os resultados indicam que melhorar a renovação do ar não exige necessariamente grandes intervenções estruturais. Além do uso estratégico de portas e janelas, algumas características simples da própria construção podem facilitar a circulação.
Jean cita como exemplo as portas com venezianas, que possuem aberturas que permitem a passagem do ar. “Se tiver uma veneziana na porta, já auxilia bastante na passagem do ar, pois o ar vai sendo renovado”, explica.
Os resultados também podem auxiliar arquitetos e engenheiros no planejamento de novos prédios e em reformas de ambientes já existentes. Antes mesmo de uma construção ser realizada, é possível simular como o tamanho e a posição das janelas, as características das portas, o volume do ambiente, a quantidade prevista de pessoas e os sistemas de ventilação podem influenciar a renovação do ar. “Isso não exige, necessariamente, obras de alto custo”, pontua.
A pesquisa também mudou alguns hábitos do próprio pesquisador. Hoje professor de cursos de Engenharia em Horizontina (RS), Jean conta que passou a prestar mais atenção à ventilação das salas onde leciona. “Nas aulas que eu dou à noite, eu chego e já abro a janela e ligo o ar, pensando na renovação e em como a concentração de CO₂ pode prejudicar ou ajudar os alunos na absorção do que estamos trabalhando em sala.”
O professor Fabiano Cassol, que orientou a pesquisa, comenta que mais do que apontar uma única solução, a pesquisa mostra que a qualidade do ar depende de diferentes fatores que atuam em conjunto: "as características do prédio, o número de pessoas no ambiente, as condições climáticas e a forma como portas, janelas e sistemas de ventilação são utilizados. Também mostra que as simulações podem ajudar tanto a melhorar ambientes que já existem quanto a planejar novos espaços, permitindo testar alternativas antes mesmo de uma obra ser realizada. Um aspecto que considero especialmente importante neste trabalho é a possibilidade de utilizar a simulação computacional como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão. Antes de realizar uma intervenção em uma edificação, podemos construir diferentes cenários, avaliar o comportamento do ambiente e identificar quais alternativas apresentam maior potencial de melhorar a renovação do ar. Isso permite que decisões sobre reformas, sistemas de ventilação ou mesmo sobre a forma de utilização dos espaços sejam fundamentadas em dados, reduzindo a necessidade de soluções baseadas apenas em tentativa e erro", explica.
Sobre o impacto social da pesquisa, Fabiano comenta que ele está justamente na possibilidade de transformar esse conhecimento em melhores condições de permanência nos ambientes coletivos. "Embora o estudo tenha sido desenvolvido em espaços universitários, a metodologia utilizada pode servir como referência para avaliações em outros ambientes de uso coletivo, contribuindo para que instituições pensem a qualidade do ar ainda na etapa de planejamento e adotem medidas mais adequadas às características de cada espaço", analisa.