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Boletim Climático para Outubro, Novembro e Dezembro

A previsão por conjunto de vários modelos climáticos estima precipitações bem acima da normalidade para os próximos meses, especialmente, para novembro e dezembro.

Dados do projeto de extensão — 05 de Novembro de 2026 — Atualizado em 05/11/2026

Boletim Climático para Outubro, Novembro e Dezembro

O boletim climático trimestral faz parte do projeto de extensão "Difusão da previsão do tempo e do clima para comunidade regional", coordenado pelo professor da UFFS - Campus Cerro Largo, Anderson Spohr Nedel, com colaboração do prof. Sidinei Zwick Radons. Estima-se, para os próximos meses, ocorrência de precipitações acima da média esperada para a região.  As temperaturas das águas superficiais (TSM) e subsuperficiais do oceano Pacífico tropical (OP) central e leste têm apresentado temperaturas acima da média (“mancha vermelho”, figura 1b), nos últimos meses, indicando a presença do fenômeno climático El Niño, que, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), continua se fortalecendo, e tem enormes chances de se classificar-se como um evento muito forte e persistir seus efeitos sobre o RS até maio de 2027, figura 1b. Entretanto, dependendo da circulação atmosférica de menor escala (“mais regional”), os efeitos do fenômeno podem ser atenuados. Durante a primeira quinzena de agosto poderemos ter ainda algumas entradas de ar (mais) frio, que podem provocar temperaturas (mínimas) mais baixas que o normal, devido ao sinal do Índice de Oscilação Antártica (AAO) estar ligeiramente negativo.  

A estação da primavera, climatologicamente, é um período em que mais ocorrem eventos de granizo e vendaval na região, o que coincide com a grande influência dos efeitos El Niño (maiores efeitos entre a primavera e verão). Assim, em uma atmosfera mais aquecida, essa situação, portanto, favorece a maior ocorrência de eventos extremos tempo.  

A previsão por conjunto de vários modelos climáticos estima precipitações bem acima da normalidade para os próximos meses, especialmente, para novembro e dezembro (que devem chover mais). A média de chuva nesses meses é 105mm e 112mm, respectivamente. É sempre muito difícil prever a quantidade de chuva em determinado local/região, entretanto, alguns modelos projetam para a nossa região precipitações oscilando em torno dos 300mm em novembro, 260mm em dezembro e 240mm em janeiro (Copernicus Climate Change Service). Salienta-se que as precipitações devem manter como característica principal a ocorrência de grandes volumes de chuva em curtos períodos (tendência que deverá prevalecer também nos próximos meses). Com relação às temperaturas, a estimativa é que fiquem ligeiramente acima da média nos próximos três meses.


Com base nessas previsões, ao mesmo tempo que uma boa disponibilidade hídrica sinaliza um cenário positivo e a possibilidade de uma boa safra, o diagnóstico agronômico exige atenção total. O solo saturado limita o tráfego de máquinas e aumenta o risco de erosão e lixiviação de nutrientes no perfil do solo. Além disso, a combinação de calor e alta umidade cria o ambiente propício para a rápida proliferação de doenças fúngicas nas lavouras de verão, como a ferrugem asiática na soja e podridões no milho. 

Para contornar esses desafios, recomenda-se intensificar a proteção do solo mantendo a palhada no plantio direto para conter o impacto de enxurradas e fracionar a adubação de cobertura a fim de conter as perdas. No manejo fitossanitário, o produtor deve realizar o monitoramento constante das áreas e planejar aplicações preventivas de fungicidas, aproveitando as janelas de tempo seco. Na pecuária, embora a chuva favoreça a oferta de forragem, é necessário adotar o pastoreio rotacionado para evitar a degradação pelo pisoteio em solo encharcado. 

Por fim, diante da instabilidade meteorológica e da complexidade do manejo nestas condições, é indispensável que os agricultores mantenham contato frequente com a assistência técnica local, como a Emater/RS-Ascar, cooperativas e agrônomos de sua confiança. O acompanhamento próximo desses profissionais permite ajustar as estratégias de manejo em tempo real, garantindo tomadas de decisão mais rápidas e seguras, protegendo a produtividade.

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