O boletim climático trimestral faz parte do projeto de extensão "Difusão da previsão do tempo e do clima para comunidade regional", coordenado pelo professor da UFFS - Campus Cerro Largo, Anderson Spohr Nedel, com colaboração do prof. Sidinei Zwick Radons. Estima-se, para os próximos meses, ocorrência de precipitações acima da média esperada para a região.
As temperaturas das águas superficiais (TSM) e subsuperficiais do oceano Pacífico tropical (OP) central e leste têm apresentado temperaturas acima da média (“mancha vermelho”, figura 1b), nos últimos meses, indicando a presença do fenômeno climático El Niño, que, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), continua se fortalecendo, e tem enormes chances de se classificar-se como um evento muito forte e persistir seus efeitos sobre o RS até maio de 2027, figura 1b. Entretanto, dependendo da circulação atmosférica de menor escala (“mais regional”), os efeitos do fenômeno podem ser atenuados. Durante a primeira quinzena de agosto poderemos ter ainda algumas entradas de ar (mais) frio, que podem provocar temperaturas (mínimas) mais baixas que o normal, devido ao sinal do Índice de Oscilação Antártica (AAO) estar ligeiramente negativo.
A estação da primavera, climatologicamente, é um período em que mais ocorrem eventos de granizo e vendaval na região, o que coincide com a grande influência dos efeitos El Niño (maiores efeitos entre a primavera e verão). Assim, em uma atmosfera mais aquecida, essa situação, portanto, favorece a maior ocorrência de eventos extremos tempo.
A previsão por conjunto de vários modelos climáticos estima precipitações bem acima da normalidade para os próximos meses, especialmente, para novembro e dezembro (que devem chover mais). A média de chuva nesses meses é 105mm e 112mm, respectivamente. É sempre muito difícil prever a quantidade de chuva em determinado local/região, entretanto, alguns modelos projetam para a nossa região precipitações oscilando em torno dos 300mm em novembro, 260mm em dezembro e 240mm em janeiro (Copernicus Climate Change Service). Salienta-se que as precipitações devem manter como característica principal a ocorrência de grandes volumes de chuva em curtos períodos (tendência que deverá prevalecer também nos próximos meses). Com relação às temperaturas, a estimativa é que fiquem ligeiramente acima da média nos próximos três meses.