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UFFS integra rede nacional de pesquisa sobre clima, ambiente e saúde

Participação da universidade no INCT Conexões potencializa atuação em estudos sobre extremos climáticos, vulnerabilidade socioambiental e impactos na saúde humana

Lilian Simioni - Assessoria de Comunicação do Campus Chapecó — 19 de Maio de 2026 — Atualizado em 19/05/2026

UFFS integra rede nacional de pesquisa sobre clima, ambiente e saúde

Professor Murara explica que a entrada da UFFS no INCT Conexões é resultado de um processo acumulado de atuação científica na área da climatologia

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) passou a integrar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Conexões, rede nacional de pesquisa voltada às relações entre clima, ambiente, território e saúde humana. Segundo o professor da UFFS – Campus Chapecó e pesquisador da área de climatologia, Pedro Murara, a inserção da universidade na iniciativa amplia a participação institucional em projetos cooperativos de escala nacional e fortalece pesquisas relacionadas às mudanças climáticas e seus impactos sociais e sanitários.

O INCT Conexões, como explica o professor, integra o programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, considerado uma das principais iniciativas de pesquisa científica do país, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O programa reúne universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do Brasil em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento científico e social.

Segundo ele, o principal diferencial da rede está na articulação interdisciplinar entre áreas como climatologia, geografia, saúde pública, epidemiologia, ecologia e ciências ambientais. “Não se trata apenas de produzir diagnósticos acadêmicos, mas de gerar subsídios técnicos e científicos para planejamento urbano, vigilância em saúde, gestão de riscos, adaptação climática e redução de vulnerabilidades socioambientais”, afirma.

Como explica o professor, a proposta envolve pesquisadores distribuídos em diferentes estados brasileiros e possui forte foco em compreender como mudanças ambientais e climáticas afetam populações humanas e ecossistemas, especialmente em regiões vulneráveis. A coordenação da rede está sediada na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a vice-coordenação na Universidade Federal de Rondônia (Unir). Entre os objetivos da rede estão o desenvolvimento de metodologias integradas de monitoramento ambiental e epidemiológico, a investigação dos impactos de eventos extremos sobre a saúde humana e a produção de conhecimento voltado à formulação de políticas públicas.

No caso da UFFS, Murara ressalta que as pesquisas vinculadas ao INCT Conexões estão relacionadas principalmente aos extremos térmicos no Sul do Brasil, especialmente ondas de calor e de frio no contexto do clima subtropical. Conforme o professor, também há articulação com estudos sobre climatologia geográfica, vulnerabilidade climática e saúde ambiental.

Ele destaca que os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos na região Sul do país. “Ondas de calor aumentam a desidratação, o estresse térmico, internações e mortalidade por determinadas enfermidades cardiovasculares e respiratórias. Já as ondas de frio também produzem impactos importantes, especialmente entre populações vulneráveis”, explica.


Conforme Murara,  o conhecimento desenvolvido pela rede pode subsidiar políticas públicas em áreas como saúde ambiental, planejamento urbano, defesa civil e adaptação climática

Os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana, enfatiza o pesquisador, deixaram de ser projeções futuras e já produzem efeitos concretos. Ele cita o aumento da frequência de ondas de calor, enchentes, secas e alterações nos regimes atmosféricos como fatores que ampliam vulnerabilidades sociais e sanitárias.

Ao abordar a relação entre vulnerabilidade social e exposição aos eventos extremos, Murara afirma que o clima da cidade pode ser entendido como um sistema ativo de produção de riscos. “Ele não apenas acompanha as desigualdades urbanas, mas participa diretamente da sua reprodução”.

Além da produção acadêmica, o pesquisador destaca que o conhecimento desenvolvido pela rede pode subsidiar políticas públicas em áreas como saúde ambiental, planejamento urbano, defesa civil e adaptação climática. Porém, nem tudo está nas mãos da ciência. “O uso efetivo depende da capacidade de transformar informação científica em instrumentos operacionais de gestão”, pontua.

A participação da universidade na rede também deve ampliar oportunidades para estudantes de graduação e pós-graduação. Segundo o professor, a inserção em redes nacionais favorece iniciação científica, projetos interinstitucionais, produção conjunta de pesquisas e intercâmbio acadêmico.

Murara salienta que a entrada da UFFS no INCT Conexões é resultado de um processo acumulado de atuação científica na área da climatologia. “A entrada da UFFS no INCT Conexões não ocorre de forma isolada. Ela é resultado de um processo acumulado de produção científica, formação de recursos humanos, articulação acadêmica e consolidação institucional da climatologia dentro da universidade”, finaliza.

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