Duas professoras do curso de Enfermagem da UFFS - Campus Chapecó embarcam nos próximos dias para uma missão internacional em Angola, onde atuarão na capacitação de profissionais de saúde que trabalharão em hospitais recém-estruturados no país africano. Tatiana Gaffuri e Silvia Silva de Souza foram selecionadas para integrar um projeto do Ministério da Saúde angolano voltado à qualificação da assistência em unidades de alta complexidade.
A iniciativa reúne profissionais de diferentes países, com prioridade para aqueles que falam português, como Brasil e Portugal. O objetivo é preparar equipes locais para atuar em hospitais equipados com alta tecnologia, mas que ainda demandam formação especializada para o uso adequado desses recursos. As professoras permanecerão cerca de 20 dias em Angola, com base inicial em Luanda, participando diretamente das atividades de capacitação.
A seleção das profissionais considerou critérios rigorosos, como experiência prática na assistência a pacientes críticos e atuação na área de ensino. Ambas atendem a esse perfil. Tatiana tem experiência em terapia intensiva, com trajetória consolidada também na formação acadêmica, incluindo mestrado e doutorado na área. Silvia, por sua vez, também construiu sua carreira entre a assistência hospitalar e a docência, com atuação em unidades de terapia intensiva e formação avançada voltada ao cuidado de pacientes graves.
A vivência prática é apontada pelas docentes como um diferencial no processo de ensino e também na atuação internacional. “Quando o professor tem experiência assistencial, ele consegue fazer conexões mais concretas, trazer situações reais e trabalhar com mais segurança em contextos complexos como a UTI”, destaca Silvia. Tatiana ressalta que esse domínio técnico impacta diretamente na qualidade do cuidado. “O profissional precisa ter conhecimento científico sólido para tomar decisões rápidas e seguras. Isso é essencial para oferecer um cuidado qualificado ao paciente crítico”, afirma.
O projeto em Angola surge em um contexto de investimentos do governo local na modernização da rede hospitalar. No entanto, como destacam as professoras, a qualificação da mão de obra é vista como etapa essencial para que esses avanços se traduzam em melhoria efetiva na assistência à população. É nesse ponto que entra a contribuição de profissionais estrangeiros, como as docentes da UFFS.
As professoras ainda não conhecem em detalhes a dinâmica das atividades que desenvolverão, nem as especificidades do sistema de saúde angolano. A adaptação às normas locais e à realidade dos serviços será parte fundamental do trabalho. “A gente sabe que vai atuar na capacitação de profissionais para a terapia intensiva, mas a dinâmica exata vamos entender lá. Vai ser uma construção no próprio processo”, explica Tatiana.
Além do impacto direto na formação dos profissionais angolanos, a experiência também deve repercutir no retorno ao Brasil. O contato com outra realidade de saúde, a troca com profissionais de diferentes países de outras regiões do Brasil, e a vivência cultural tendem a ampliar o repertório das docentes, com reflexos no ensino e na formação dos estudantes da UFFS - Campus Chapecó. “É uma oportunidade de troca muito grande, tanto no aspecto técnico quanto cultural. Isso retorna para a universidade e qualifica também a formação dos nossos estudantes”, avalia Silvia.