Cristiane Katzer e Ângela Paixão, agricultoras, camponesas e mestrandas do PPGADR, compartilharam suas trajetórias de vida, marcadas pela luta, organização coletiva e resistência diante das desigualdades impostas às mulheres no campo por uma sociedade que ainda oprime e invisibiliza seu trabalho. Seus relatos evidenciam o protagonismo feminino na agroecologia, na defesa do território e na produção de alimentos saudáveis, além do enfrentamento às diversas formas de violência, inclusive na luta contra o feminicídio.
As mestrandas destacaram que a organização das mulheres é essencial para romper estruturas de opressão, fortalecer redes de apoio e afirmar direitos na busca por transformação social e igualdade. Para elas, cursar um mestrado em Agroecologia em uma universidade federal representa a continuidade dessa luta também no espaço acadêmico, unindo saberes do campo e conhecimento científico na construção de um desenvolvimento rural mais justo, sustentável e livre de violência.
A professora Liria Ângela Andrioli compartilhou parte de suas pesquisas desenvolvidas com mulheres no campo, evidenciando o papel fundamental que elas desempenham na construção e no fortalecimento da agroecologia. Em seus estudos, destacou as experiências femininas como centrais na organização produtiva, na preservação de sementes, no diálogo de saberes e na consolidação de práticas sustentáveis.
Ao abordar a agroecologia como um modo de vida, a docente ressaltou que ela vai além de uma técnica de cultivo: representa uma escolha ética e política baseada no cuidado com a terra, com a biodiversidade e com as pessoas. Esse cuidado se expressa na produção de alimentos saudáveis, no respeito aos ciclos da natureza e na valorização das relações comunitárias, reafirmando a agroecologia como caminho para a sustentabilidade, a dignidade no campo e a promoção da vida em todas as suas dimensões.
Outras mulheres entrevistadas em Laranjeiras do Sul
Dando continuidade à série de entrevistas, os pesquisadores austríacos também conversaram com a professora Elisandra Gessi, que abordou o tema das mudanças climáticas no contexto de Rio Bonito do Iguaçu. Outra participação foi a da empreendedora Maria Aparecida Carvalho Vaz, que apresentou o projeto “Leitura e Esperança”, iniciativa que promove o apoio e o fortalecimento de mulheres por meio da literatura, ajudando-as a ressignificar experiências dolorosas.
Sobre o projeto Kitchen Talks
O Kitchen Talks é um projeto teatral criado por Nora e Michael Scheidl que transforma entrevistas com mulheres de diferentes países — Senegal, Índia, Brasil e Costa Rica — em uma obra cênica que combina culinária, vídeo e reflexão social. Durante suas viagens, os artistas conversam com mulheres sobre suas rotinas, desafios, condições de vida, sonhos e mudanças climáticas. Esses materiais são incorporados ao espetáculo, no qual atores cozinham ao vivo enquanto interagem com trechos das entrevistas projetadas no palco.
A proposta busca revelar, por meio da vida cotidiana, como desigualdade, cultura, religião, economia e mudanças climáticas moldam a experiência feminina em diferentes partes do mundo. O projeto tem parceria com a Universidade Johannes Kepler, em Linz, e foi inspirado no relatório Earth for All, do Clube de Roma, que discute futuros possíveis para o planeta a partir de temas como nutrição, energia, pobreza e empoderamento feminino.